segunda-feira, 23 de julho de 2012


De tudo, sei que o que vem matando é o desejo. Pílula evervecente que alguém engoliu sem água.
De noite, o gelo seco desses desesperos parados vem de manso por debaixo das portas, mesmo que eu insista em borrifar cheiros pelo ar.
Travesseiro parece pedra. Sabonete incomoda só de lembrar sua intenção. Pisos frios pra lembrar choques de realidades. É claro, é escuro, frio, quente. Não se quer saber de diferenças, tudo se ignora como se eu fosse assunto de criança conversando na altura da cintura dos outros. Tudo que falo se mistura. Não existe fala – sempre meu instrumento. Existe só meu corpo (corpo, corpo). Este aqui que sobrevive somehow, mas… até quando, até onde? Onde vai o limite desses lençóis leitosos de sensações?

I wish I was that gifted… I wish I had the guts to carry what I carry from inside out...
Talented. Not being afraid to be so talented and pay the price to be who you are.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

espera

Ele aguardava. Não se sabia, ao certo, antes. Na verdade, não parecia impaciente pela postura que exercia, mesmo em sua baixa estatura. Parado ali, não era só a idade que trazia um tipo de presença, mas uma dor que se mostra, pelo menos pra mim. Mãos nos bolsos de um blazer que, em seu tamanho, não parecia o descuido de proporções, mas mais uma inspiração de duas décadas atrás.
A um certo ponto, não era mais tão cedo, ela chegou. Não era bonita, por certo, alguns traços pouco femininos, quase causando dúvida, mas era jovem. E ele, antes em pé no mesmo lugar por tempos, agora escolhera uma mesa onde posicionava as cadeiras de modo a deixá-lo por trás dela e abraçado carinhosamente. A estatura, a leve magreza debaixo da pele já não tão firme que aparecia nos braços agora sem o blazer escuro, tudo parecia diminuído pelo modo com que ele a abraçava, masculino e tenro, sabedor de coisas e da vida.

away


destilando em líquido no canto da boca o cansaço genuíno das esperas dentro do avião